A menos de 80 dias do início do ano lectivo, nem o concurso de privatização foi lançado

Até posso aceitar que se defenda a privatização dos infantários da Segurança Social. Não concordo, mas posso aceitar.
Até poderia admitir que as novas entidades gestoras prefiram ter a sua equipa educativa em vez de uma equipa herdada da Segurança Social. Não concordo, mas poderia admitir.
O que para mim é completamente intolerável é que tudo se faça em cima do joelho e que este processo vá prejudicar, acima de tudo, as nossas crianças. Não admito nem aceito que, a menos de 80 dias do início do novo ano lectivo, ainda nem sequer tenha aberto o concurso de privatização e se vá mudar tudo – entidade gestora, direcção, funcionários – em cima da hora.
Qual é a entidade? Qual vai ser a sua estrutura orgânica? Qual será o Projecto Educativo? Como vai funcionar?
É escandaloso que se faça tudo desta forma. Ao ponto de se admitir contratar pessoal exterior em regime de outsourcing se a transferência não estiver concluída, como se sabe que não vai estar, a 1 de Setembro.
Para lutar contra tudo isto, está criada uma Página no Facebook para lutar contra o despedimento colectivo de mais de mil educadores e auxiliares especializados em 25 infantários da Segurança Social em todo o país.
São eles o Centro Infantil de Aveiro, o Centro Infantil de Santa Maria da Feira, o Infantário de Alcains, o Infantário de Castelo Branco I, o Infantário de Castelo Branco II, o Infantário de Cebolais de Cima, o Infantário da Covilhã III, o Infantário de Teixoso, o Infantário de Tortozendo, o Centro Infantil de Pevidém, o Infantário de Manteigas, o Infantário de Santa Eulália, o Infantário de Santo António, o Internato de Santo António, o CBES de Baixa da Banheira, o Centro Infantil de Alcácer do Sal, o Centro Infantil de Costa da Caparica, o Centro Infantil do Lavradio, o Centro Infantil de Setúbal I, o Centro Infantil de Sines, o CBES do Laranjeiro, o Centro Infantil Abrigo dos Pequeninos, o Centro Infantil de Crestuma, o Centro Infantil de Santo Tirso e o Centro Infantil de Valbom.
Porque todos somos poucos na luta contra um atentado social que atinge mais de mil famílias e que põe em causa o futuro das nossas crianças, urge divulgar esta causa.

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Segurança Social: Está em curso o despedimento colectivo de mais de Mil Funcionários Públicos dos Infantários


A privatização dos infantários da Segurança Social que está em curso – serão quase 25 em todo o país – configura um processo de despedimento colectivo encapotado dos mais de mil funcionários que trabalham nessas instituições e que já receberam ordens da tutela para se apresentarem nos respectivos Centros Distritais no dia 1 de Setembro.
Como é óbvio, se a Segurança Social deixa de ter infantários, extingue-se o posto de trabalho das educadoras de infância e demais pessoal especializado que até agora trabalhava nesses infantários. É por isso que ninguém explicou até ao momento o que vão fazer a todas essas pessoas com vínculo à Segurança Social, algumas delas em idade demasiado jovem para a aposentação. A integração na lista dos disponíveis, está bom de ver, será apenas o primeiro passo.
A imoralidade extrema de todo este processo de privatização dos infantários da Segurança Social não se fica por aqui. Estamos em meados de Junho e ainda nada saiu em Diário da República sobre o respectivo concurso. Numa altura em que o próximo ano lectivo devia estar a ser preparado, ainda nem sequer se sabe quem vai gerir cada um dos 25 infantários a privatizar e quem vai lá trabalhar. Os pais não podem preparar o futuro dos seus filhos nem poderão fazê-lo nos próximos tempos.
Claro que o Governo já pensou em tudo. O boy Luís Monteiro, vogal do Conselho Directivo, já deu ordens para contratar pessoal exterior em regime de outsourcing se o processo de transferência não estiver concluído até Setembro. Há pessoal especializado com uma experiência de décadas, a trabalhar e a receber, mas não serve. E como a crise não é para todos, sempre se arranjam uns dinheiros-extra aos amigos das empresas de trabalho temporário.
Um verdadeiro escândalo, tudo o que se está a passar. Em 2004, o PCP mexeu-se contra uma primeira tentativa de privatização do Governo de Direita. E agora, ninguém faz nada?

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A privatização do Centro Infantil de Valbom e o sinistro Marco António

A decisão de privatizar o Centro Infantil de Valbom e afastamento de todo o pessoal parece ter, antes de todos, a chancela de Marco António Costa, essa personagem sinistra que se move nos bastidores da política como poucos e que, não adianta escondê-lo, é o verdadeiro Ministro da Segurança Social.
a pequena história que aqui deixo diz algo sobre Marco António e sobre o deslumbramento que o poder provoca nas pessoas.
Quando foi Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Segurança Social, no Governo de Santana Lopes, Marco António fez questão de se instalar na sede do Centro Distrital de Segurança Social, na rua António Patrício, no Porto.
No entanto, pareceu-lhe que a importância do cargo não lhe permitiria ocupar um gabinete normal. Vai daí, requisitou para si e para a sua equipa (metade para cada) o Grande Auditório do edifício – um espaço amplo, com vistas magníficas, que até aí estava destinado à realização de cerimónias e de espectáculos relacionados com a Segurança Social.
Deixou de estar enquanto Marco António ocupou o cargo de Secretário de Estado. E o Centro Distrital de Segurança Social do Norte deixou de ter qualquer espaço para a realização dessas actividades.
Este episódio vale o que vale e tem a importância que tem, mas não deixa de ser elucidativo quando queremos saber mais sobre aquele que acaba de decidir a privatização dos infantários da Segurança Social.
O título do meu post «Só não se privatizam a si próprios porque ninguém os quer» podia ter vários destinatários, mas a Marco António encaixa na perfeição.

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O Centro Infantil de Valbom vai ser privatizado, mas as obras continuam (o Estado paga)

Já aqui o disse, o Centro Infantil de Valbom vai ser privatizado.

Por mero acaso, foi totalmente remodelado em Agosto de 2011, com obras que incluíram a pintura das paredes e dos tectos das salas e espaços comuns e a totalidade das instalações eléctricas e sanitárias. Obra para custar milhares de euros!

Em Junho de 2012, foi colocada uma rede em todo o espaço exterior – 10 mil metros quadrados – para reforçar a segurança do espaço.

Hoje mesmo, 3 dias depois dos funcionários serem informados de que vão todos embora porque a instituição vai ser privatizada, esteve no infantário uma arquitecta para ultimar o projecto das obras na sala da creche, que vão começar de imediato.

Ou seja, o Centro Infantil de Valbom vai ser privatizado já em Setembro, mas em Junho o Estado continua a fazer obras e a gastar dinheiro num espaço que já decidiu que vai entregar. Como é óbvio, a ideia é poupar a despesa aos privados que vão ficar com a instituição. Nós todos, contribuintes, pagamos. Afinal, Passos Coelho já nos disse que os sacrifícios são para todos.

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CIV: Um infantário único…

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Não privatizem o Centro Infantil de Valbom

Pormenor da parte exterior do Parque Infantil de Valbom

O Centro Infantil de Valbom, propriedade da Segurança Social até hoje, vai ser privatizado. A partir de 1 de Setembro de 2012, nada restará de uma história de mais de 30 anos a não ser as paredes.
Directora, equipa pedagógica, educadoras de infância, auxiliares, restantes funcionários – vão todos embora. Para onde, não se sabe muito bem, porque a Segurança Social vai privatizar todos os infantários que ainda estão nas suas mãos.
Não se pense que o Centro Infantil de Valbom é um infantário qualquer. Não, não é um daqueles Centros Escolares que o Daniel Oliveira tanto venera. Não é um depósito de crianças. Não é um monte de betão.
Tem vida, tem alma, tem ar livre, muito ar livre. São 10 mil metros quadrados de jardins e de parque infantil para as nossas crianças brincarem. Só a caixa de areia do Centro Infantil de Valbom é maior do que o espaço livre desses Centros Escolares horrendos com que Sócrates infestou o país.
Tem hortas. 3 hortas. Uma por cada sala do pré-escolar em funcionamento. Alfaces, repolhos, couves roxas – tudo plantado, tratado e colhido pelas nossas crianças. Todas as semanas, lá iam elas regar as suas plantinhas e ver se estavam ou não a crescer. Na semana passada, comprei e comi uma das alfaces plantadas pela minha filha.
O Centro Infantil de Valbom foi totalmente remodelado em Agosto de 2011. E ainda agora, em Junho de 2012, sofreu melhorias. Claro, para em Setembro os privados não terem de gastar o dinheiro. Assim, gasta o Estado.
Depois de tantas obras, ficou com todas as condições necessárias para dar às nossas crianças um desenvolvimento harmonioso. Um crescimento saudável.
Sabem, crescer de forma saudável não é possível dentro de um aviário. Não é possível num monte de betão a simular uma cidade. Lá chegará o tempo em que, já adultas, as nossas crianças terão de trabalhar entre 4 paredes. Como crianças, merecem respirar o ar da natureza, merecem brincar na areia, merecem sujar-se na terra.
E não há maior alegria do que chegar de um dia de trabalho para ir buscar as nossas crianças e vê-las a brincar lá fora com os olhos a brilhar. A respirarem o ar da natureza. A brincarem na areia. A sujarem-se na terra.
Tudo isto vai acabar. Porque este Governo acha que o serviço social não é vocação do Estado. Porque este Governo acha que 30 anos de experiência de toda uma equipa podem ser deitados fora assim, de um momento para o outro.
Não é que o Centro Infantil de Valbom vá fechar, mas vai acabar tal qual o conhecemos hoje em dia. É que, para os privados, o lucro é a razão da sua existência.
Ali, vai ser fácil cortar a torto e a direito. Nos funcionários e em tudo o resto. Até nos cestinhos de pão de cada sala, que as educadoras vão esvaziando durante todo o dia para a boca das nossas crianças. «Queres pão, Leonor?» «Queres pão, Carolina?» «Queres pão, Rui?» «Queres pão?» «Queres pão?» «Queres?»
A partir de Setembro, a Imelda, a Angela ou a Paula, a Rosa (a minha filha chama-lhe Goja) ou a São, já não vão dar mais pão às nossas crianças. Ninguém o fará a não ser nas horas a que a lei obriga.
Quando há alguns meses Sampaio Pimentel, o actual presidente do Centro Distrital da Segurança Social do Porto, se passeou pelo infantário, fez uma grande festa às nossas crianças, abraçou-as e brincou com elas. Por trás, espetou-lhes a faca da traição. Falou muito com elas. Mas não lhes disse que lhes ia tirar todas as suas referências. Tudo aquilo a que estavam habituadas.
10 mil m2 de espaço ao ar livre a 5 minutos da cidade do Porto? De jardim infantil? De terra? De areia? Apetecível! E quem precisa de tanto? Olha, os alunos desses Centros Escolares tão modernos sobrevivem com zero metros de relva, com zero metros de terra. O betão é tão bonito!
Daí a construírem mais umas salitas no lugar do antigo jardim, vai um pequeno passo. E por que não construir mais um bonito Centro Escolar? Isso é que é bom, que as crianças pobres têm tanto direito como as ricas a estar enclausuradas num edifício onde o sol não entra e onde a conta da luz, propositadamente, passou a ser exorbitante.
É este o país que temos, é este o país que me envergonho de habitar. Mas é também o país onde é possível encontrar educadoras e auxiliares – as tais Funcionárias Públicas bode expiatório de tudo em Portugal – que amam as nossas crianças da forma que as do Centro Infantil de Valbom amaram.
Educadoras e auxiliares para quem as nossas crianças não são meros clientes que dão lucro. São mais, muito mais do que isso. São as nossas crianças. São as crianças delas.
Juntos, fizemos um caminho lindo que não voltará mais. Contado, ninguém acredita. No dia 14 de Julho, dia do encerramento do ano lectivo, teremos a nossa festa de despedida. É o ponto final. Vai doer, mas vai ser bonito.
O resto? O resto será só para encher os bolsos de alguém.

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